Festival de Berlim seleciona longa brasileiro inspirado em Hilda Hilst

Por guilherme genestreti

Fabular, atemporal e sem delimitação no espaço, o filme brasileiro “Unicórnio”, de Eduardo Nunes, vai levar o universo da autora paulista Hilda Hilst para Berlim.

O longa é o quarto título nacional anunciado na programação da prestigiosa Berlinale, a mostra cinematográfica que ocorre na capital alemã. A história mistura duas novelas de Hilst, “Matamoros” e “O Unicórnio”, e delas extrai algumas de suas principais marcas, como a sexualidade e a feminilidade.

Diretor de “Sudeste”, Eduardo Nunes emplacou o filme na mostra Generation do Festival de Berlim, dedicada a filmes sobre amadurecimento e o universo infanto-juvenil.

Na trama, a garota Maria (Barbara Luz) vive com a mãe (Patricia Pillar), isolada numa casa campestre em algum canto inespecífico. A rotina é rústica: usa-se um poço para tirar água, pastoreiam-se cabras.

A chegada de um desses pastores (Lee Taylor) é o elemento desestabilizador da convivência de mãe e filha. É ele quem desperta a sexualidade de Maria e atrai os olhares de sua mãe.

Além de “Unicórnio”, o Brasil emplacou três filmes na mostra Panorama, paralela à competição principal. São eles “Aeroporto Central”, de Karim Aïnouz, “Ex-Pajé”, de Luiz Bolognesi, e “Bixa Travesty”, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman.

Festival de Berlim vai de 15 a 25 de fevereiro. Os longas que estarão na mostra competitiva, a mais importante do evento, ainda não foram divulgados, exceto o filme de abertura, “Ilha de Cachorros”, de Wes Anderson.

Nas fotos deste texto, as atrizes Barbara Luz e Patricia Pillar em cena de “Unicórnio” (créditos: Zeca Miranda/Divulgação).