Tréplica: Crítico poderia xingar menos no Twitter e preservar o protocolo da sua nova função

Por guilherme genestreti
Sonia Braga em cena do filme "Aquarius", de Kleber Mendonca Filho, que participa da competicao do Festival de Cannes 2016  FOTO Divulgacao ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
Sonia Braga em cena do filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho (Créditos: Divulgação)

Logo que foi publicada a coluna “Sem Legenda”, da Folha, no último dia 4, Marcos Petrucelli comemorou no Facebook: “A Folha acaba de me elevar ao posto de crítico de cinema mais temido do Brasil!”.

A coluna em questão destacava a polêmica em torno da nomeação de Petrucelli para a comissão que vai definir que filme nacional disputará a vaga brasileira no Oscar. Isso porque o crítico é conhecido por zombar do cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de “Aquarius”, o mais forte concorrente à vaga.

Nesta quinta (11), contudo, o tom de Petrucelli foi bem diferente daquele manifestado na rede social: em réplica publicada na Folha põe-se no papel de vítima (autoproclama-se o “malvado favorito”) e contesta que “Aquarius” seja “candidato natural” à vaga no Oscar.

A coluna “Sem Legenda” é informativa, e não opinativa: não criou a celeuma. Mas noticiou uma controvérsia que tomou forma nas redes sociais e entre os membros da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, principal agremiação do setor no país e da qual Petrucelli não faz mais parte.

O que a coluna aponta é que existe polêmica quanto à neutralidade de um membro da comissão, alguém que por pelo menos oito vezes usou redes sociais para depreciar Mendonça Filho.

O desejável é que a escolha da comissão não seja pautada pelos humores partidários. Como ele irá separar a obra de seu realizador?

A coluna deu amplo espaço para Petrucelli se defender, como ele de fato fez na versão online.

“Aquarius” é, sim, candidato natural à vaga. Foi o único filme brasileiro lançado no período a disputar competição principal de um dos três grandes festivais estrangeiros –no caso, competiu em Cannes, o mais importante do cinema.

O filme de Mendonça Filho tem também distribuição confirmada nos EUA, um dos requisitos para concorrer ao Oscar, tem uma atriz principal de fama global (Sonia Braga) e o respaldo da imprensa internacional: a revista “Cahiers du Cinema” o colocou como um dos 12 longas mais esperados de 2016.

Petrucelli já foi jurado do festival Cine PE, do Recife, criado pelo mesmo Alfredo Bertini que hoje ocupa a Secretaria do Audiovisual, do Ministério da Cultura, e que indicou seu nome à comissão.

Já que o crítico se despiu do protocolo da função pública que agora ocupa, ele poderia ter respondido que outros filmes nacionais reúnem credenciais tão fortes quanto “Aquarius”.

Em vez disso, Petrucelli usou o espaço do jornal como arena para mais uma vez despejar ingênuos argumentos do Fla-Flu partidário: fala em “realismo lulista”, “mídia golpista” e que “o Oscar representa o imperialismo americano, que a esquerda abomina”.

Para alguém que gasta linhas e linhas ostentando sua experiência, faltaram argumentos cinematográficos. Restou uma ladainha digna de rede social.