Crítico contrário a Kleber Mendonça Filho vai integrar comissão do Oscar

Por guilherme genestreti

O nome do crítico Marcos Petrucelli, escolhido pelo governo para a comissão que vai determinar que filme brasileiro tentará uma vaga no Oscar 2017, tem gerado controvérsia em fóruns especializados.

Isso porque o candidato natural a esse posto é “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, que disputou a Palma de Ouro em Cannes neste ano.

Mas Petrucelli, que é comentarista na rádio CBN e já compôs o júri de festivais de cinema, é um crítico notório do diretor. Nas redes sociais, ele já postou mais de oito comentários depreciativos a Mendonça Filho, que ele chama de “aquele diretor”.

“Quem não tem Cannes caça com Gramado”, ironizou, quando “Aquarius” foi anunciado para a mostra gaúcha. O filme pernambucano saiu sem prêmio no festival francês.

A composição da comissão, que tem nove pessoas, é definida pela Secretaria do Audiovisual, ligada ao Ministério da Cultura. E é impossível dissociar “Aquarius” do protesto encampado pela equipe do longa contra o governo interino em Cannes.

Também integram a comissão o produtor e diretor mineiro Guilherme Fiuza Zenha, a atriz Ingra Liberato e Silvia Rabello, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Audiovisual do Rio.

OUTRO LADO

O secretário do Audiovisual, Alfredo Bertini, defende a nomeação: “’Aquarius’ é um belo filme, mas não dá para dizer que é candidato natural”, diz. “E, mesmo assim, são nove os membros na comissão.”

Petrucelli também faz coro. Ele discorda que “Aquarius” seja um candidato natural a representar o Brasil. “Ele é tão importante quanto os outros que serão inscritos. [O fato de ter ido a Cannes] não quer dizer que ele é o melhor”, diz à coluna. “Nem todo filme que ganhou Cannes ganhou o Oscar.”

“Essa grita toda é de gente idiota que está se precipitando. Eu sou uma das pessoas da comissão. Não falo por todos.”

Segundo ele, seus 20 anos de experiência como crítico o credenciam a “escolher o filme com mais chances de ganhar o Oscar, que não necessariamente é o melhor filme brasileiro.”

O crítico se diz contrário ao diretor, mais especificamente às posições políticas dele, mas não a “Aquarius”. “Eu ainda nem vi o filme.”

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Créditos: Divulgação    Legenda: Cena do filme 'Desculpe o Transtorno'.     EXCLUSIVO PARA  COLUNA 'SEM LEGENDA', DA FOLHA DE S.PAULO ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***

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Espírito esportivo Até 14/8, a Cinemateca exibe 47 documentários sobre atletas, esportes e edições dos Jogos, como “Mulheres Olímpicas”, de Laís Bodanzky, e “Mãos de Urso”, de Cao e Tom Hamburger.

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Morro e asfalto

Durante os Jogos Olímpicos, as diretoras Kátia Lund (“Cidade de Deus”) e Lili Fialho vão exibir cinco documentários que elas dirigiram sobre projetos sociais realizados em várias partes do Rio.
“Eles tratam de pessoas que criaram cultura onde antes não existia”, diz Kátia.

São filmes sobre cineastas do morro, jongo em Madureira, circo na praça Onze, badminton na Chacrinha e show de improviso no Vidigal —todos exibidos no Festival Reimagine Rio, que vai de 11 a 17/8 em cinemas da cidade.

As pré-estreias serão nos locais retratados. Pós-festival, entram em circuito comercial.