Brasil tem grandes chances de premiação no Festival de Berlim

Por guilherme genestreti

Na 66ª edição da Berlinale, o Brasil continua marcando alguma presença –entre os três grandes festivais de cinema do mundo, Berlim tem sido o mais amigável aos brasileiros. Nesta edição, três filmes competem na mostra Panorama, paralela à competição principal, do júri.

Anna Muylaert apresenta “Mãe Só Há Uma”, sua primeira produção após “Que Horas Ela Volta?” ter vencido o prêmio de público nesta mesma sessão, no ano passado. O filme conta a história de Pierre (Naomi Nero), adolescente que descobre não ser filho biológico da mãe que o criou ao mesmo tempo em que presencia os primeiros sinais de uma transexualidade.

Em “Antes o Tempo Não Acabava”, os diretores Sérgio Andrade e Fábio Baldo contam a história de Anderson (Anderson Tikuna), jovem indígena que deixa a aldeia para trás e parte para viver na periferia de Manaus, assim como outros tantos, nem índios nem brancos.

Terceiro brasileiro no páreo, “Curumim” é um documentário dirigido por Marcos Prado (“Estamira”) que reconta a trajetória descendente de Marco Archer, ex-surfista carioca que foi pego tentando entrar na Indonésia com cocaína escondida e foi executado naquele país.

Naomi Nero em "Mãe Só Há Uma", de Anna Muylart. Foto: Divulgação
Naomi Nero em “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylart. Foto: Divulgação

O primeiro e o último aparecem entre os mais cotados a levar algum prêmio, segundo as conversas dos bastidores, embora o segundo também tenha sido ovacionado.

A revista “Hollywood Reporter” dedicou meia página ao filme de Muylaert em sua edição diária distribuída em Berlim. A crítica, assinada por Jordan Mintzer, elogia o “elenco incrível”, formado por Nero, Matheus Nachtergaele, Daniel Botelho e Dani Nefussi, além do “drama agudo e cheio de energia”.

“Curumim” também tem galgado espaço entre os comentários. Um vídeo com entrevista de Marcos Prado permaneceu na homepage do festival durante toda a segunda (11). O filme impressionou o público com suas cenas do interior do presídio em que Archer ficou, filmadas clandestinamente.

Com tantas tintas políticas (relata o submundo dos subornos no sistema prisional indonésio) e um drama humano de fundo, não seria muito surpreendente que levasse o prêmio –ainda mais num festival que é o mais engajado entre os três grandes.