‘Ideia era fazer um ‘Cidadão Kane’ brasileiro’, diz roteirista de Chatô

Por guilherme genestreti

Após um desenlace que durou 20 anos e originou processos judiciais e uma aura de lenda, o filme “Chatô”, de Guilherme Fontes, finalmente irá estrear em cinemas de São Paulo e Rio.

Produção repleta de excentricidades e arroubos megalomaníacos, “Chatô” contou com a participação do roteirista americano Matthew Robbins (“A Colina Escarlate”), que lapidou o roteiro escrito por João Emanuel Carneiro (“Avenida Brasil”). O nome de Robbins foi indicado pelo cineasta Francis Ford Coppola, a quem Fontes recorreu para tentar uma parceria.

Marco Ricca e Letícia Sabatella em cena de "Chatô: O Rei do Brasil", de Guilherme Fontes
Marco Ricca e Letícia Sabatella em cena de “Chatô: O Rei do Brasil”, de Guilherme Fontes

O “Sem Legenda” conversou com elusividade com Robbins.

Sem Legenda – Quem intermediou a sua participação no filme foi o diretor Francis Ford Coppola?
Matthew Robbins –
Sim, foi Francis quem fez a conexão.

Pode contar um pouco sobre como foi o trabalho com Guilherme Fontes?
Comecei trabalhando na Califórnia, entrando em contato com Fontes quando necessário. Ele sempre foi muito charmoso, otimista e cheio de energia.

Lembra-se do tempo que passou no Brasil fazendo pesquisas?
Minhas memórias dos tempos do Brasil são todas vívidas e felizes. Depois de algumas semanas no Riuo, viajei com o roteirista original, João Emanuel Carneiro, a Salvador, Recife e a um vilarejo na Paraíba, onde Chatô nasceu.

A produção foi marcada por uma série de percalços. Você teve contato com algum deles durante o seu trabalho no filme?
Não. Eu não sabia de nada a respeito do financiamento ou da produção do filme. Fiquei pesaroso depois em saber que o filme nunca foi concluído. As poucas sequências filmadas que vi eventualmente eram um pouco diferentes daquelas que escrevi, mas isso não é incomum no mundo do cinema.

Pode contar sobre o quanto recebeu pelo trabalho?
Honestamente, não me lembro. Não foi muito, tenho certeza. Mas eu já era atraído pelo Brasil e tinha achado o primeiro tratamento do roteiro de João Emanuel Carneiro bastante promissor. A esperança é que fizéssemos um “Cidadão Kane” brasileiro, então eu disse sim a Francis e a Fontes, muito embora eu não seja um Orson Welles.

E tem alguma lembrança marcante daquela época?
Para chegar ao local em que Chatô nasceu, a cidade de Umbuzeiro, Fontes contratou um helicóptero. Os locais ficaram atônitos quando pousamos num campo de futebol e cumprimentaram Guilherme com uma empolgação incontrolável. Lá certamente há quem nunca tenha se esquecido daquele momento.