Em trailer de ‘Chatô’, Marco Ricca quer ‘entupir o rabo do Brasil de notícias’

Por guilherme genestreti

“Em novembro nos cinemas”, anuncia a voz que guia o trailer oficial de “Chatô”, disponibilizado com exclusividade ao Sem Legenda.

O filme é resultado de uma epopeia de vinte anos na vida do diretor Guilherme Fontes, que pretende levar às telas, ainda neste ano, a história de Assis Chateaubriand (1892-1968), figura central da história brasileira que fundou o grupo Diários Associados, ajudou a criar o Masp, trouxe a televisão para o país e atuou na política.

O filme se inspira na biografia homônima escrita por Fernando Morais. Com um tom algo escrachado e lisérgico, “Chatô” toma como ponto de partida o AVC sofrido pelo protagonista, que entre ilusão e sonho começa a rememorar episódios de sua vida numa chave surrealista. Cacá Diegues, que viu “Chatô” ainda não finalizado há alguns anos, chegou a descrever o longa como “o último filme do tropicalismo no Brasil”.

O trailer mostra Marco Ricca no papel do magnata da imprensa: “A gente vai entupir o rabo do Brasil de notícias”, ele diz no trailer, que também mostra uma quase adolescente Leandra Leal como uma vedete do rádio que estampa capas da revista “O Cruzeiro”.

Paulo Betti faz Getúlio Vargas e Gabriel Braga Nunes interpreta um jornalista ambicioso. Completam o elenco Letícia Sabatella, Andréa Beltrão e o próprio Guilherme Fontes no papel de um apresentador de programa de auditório, misto de palhaço e Chacrinha. José Lewgoy e Walmor Chagas, que já morreram, contracenam.

Boa parte das imagens já haviam sido divulgadas no vídeo não oficial que circulou pela internet em maio. No mesmo mês, a Folha adiantou que o Ministério da Justiça havia assistido ao longa para estabelecer a sua classificação indicativa.

Ao Sem Legenda, Guilherme Fontes afirma que pretende lançar o filme no dia 19 de novembro, mesma data em que entra em cartaz o blockbuster americano “Jogos Vorazes: A Esperança–O Final”, última parte de uma franquia conhecida por abocanhar salas de cinema país afora.

“Lançando no mesmo dia o filme acaba não sendo arrancado das salas quando o ‘Jogos Vorazes’ estrear”, diz o diretor carioca.

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O ator Marco Ricca, protagonista da cinebiografia “Chatô”

ENTENDA O CASO ‘CHATÔ’

Inspirado na biografia escrita por Fernando Morais, “Chatô: O Rei do Brasil” começou a ser rodado em 1995 pelas mãos do diretor Guilherme Fontes, que até então só havia atuado na televisão e com planos de estrear na direção de um longa.

De lá para cá, foi filmado em duas etapas (ambas na segunda metade dos anos 1990), mas nunca foi lançado, o que deu ao filme uma aura de lenda no meio cinematográfico nacional.

Em novembro do ano passado, o Tribunal de Contas da União condenou o diretor a devolver aos cofres públicos R$ 66 milhões e pagar multa de R$ 5 milhões sob a acusação de que ele captou recursos incentivados para fazer “Chatô” sem ter apresentado o resultado, isto é, sem ter lançado o filme. O TCU também havia ordenado que Fontes devolvesse R$ 15 milhões referentes à série documental “500 Anos de História do Brasil”.

Nesse último caso, Fontes recorreu e teve os débitos considerados quitados. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) também arquivou uma outra ação de improbidade movida contra ele.  Fontes recorreu da decisão do TCU referente a “Chatô” e aguarda julgamento.

(Colaboraram ANDRÉ FELIPE e CAMILA MARQUES)