Diretor roda drama familiar sobre era das privatizações

Por guilherme genestreti

Em época de Operação Lava Jato e crise na estatal Petrobras, o diretor Vinícius Reis (“Noites de Reis” e “Praça Saens Peña”) se prepara para rodar um drama familiar ambientado na era das privatizações, nos anos 1990.

“Depois dessas denúncias, vi muita gente dizendo que se a Petrobras tivesse sido privatizada, talvez isso não tivesse acontecido. E eu me pergunto: ‘Será?'”, diz o diretor ao Sem Legenda. “Meu filme tem um posicionamento claro sobre esse assunto: acho que as privatizações ocorreram de forma selvagem no Brasil.”

Ele pretende chamar seu novo longa de “Montanha Russa”.

“Acompanhei esse momento das privatizações de perto”, afirma Reis, 44. “Foi um momento dramático: meu pai trabalhava na Vale do Rio Doce e e privatização balançou muito ele, que acabou optando por se aposentar mais cedo, aos 51.”

Chico Díaz (“Amarelo Manga”) interpretará o protagonista, Kleber, inspirado no pai do diretor. Na trama, ele é obrigado a demitir a equipe com quem trabalha. “Ele sente que ir para o trabalho é como ir para um pelotão de fuzilamento, mas como um atirador.”

O roteiro foi escrito com o também cineasta Fellipe Barbosa, do ainda não lançado “Casa Grande”. “Foi um ótimo encontro. Ele também traz essa experiência em falar de dramas familiares”, diz Reis.

O diretor encara que o momento atual do cinema é propício a filmes que tratem da relação entre grandes corporações e as famílias de seus funcionários, como os dramas “A Questão Humana” (2007), de Nicolas Klotz, “A Agenda” (2001), de Laurent Cantet e o recente “Dois Dias, Uma Noite” (2014), dos irmãos Dardenne.

 

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O diretor Vinícius Reis, na exibição de seu filme “Praça Saens Peña”, em 2010. (Créditos: Mastrangelo Reino/Folhapress)